Que Nada!!!

Um Blog sem noção para pessoas de fino trato!

23 de novembro de 2007

UM ANO DA VOZ QUE NÃO SE CALA!!!


Incansáveis! Sim, somos incansáveis na busca pela verdade! Trezentos e sessenta e cinco dias se passaram desde que fomos chamados para firmarmos este compromisso com a modernidade e com o jornalismo esclarecedor. Criamos o “QUE NADA!” que veio humilde, tal qual um garotinho que oferece balas nos semáforos das grandes cidades, mas que se tornaria grande, tal qual um Roberto Justus.
Estamos em festa! Mas nem sempre foi assim. Sofremos as mais vis ameaças:
Uma importante emissora brasileira cujo símbolo é uma esfera platinada, ameaçou-nos presentear com DVD’s de um programa humorístico de gosto duvidoso, que faz parte de sua grade aos sábados, tudo isso para que nos calássemos. Não nos calamos.

Importante empresário do ramo das comunicações e de jogos de azar também nos ameaçou obrigando-nos a comprar cartelas de aposta onde teríamos que findar nossos dias frente ao televisor conferindo números de hora em hora enquanto nossos cérebros eram impregnados com o pior da televisão brasileira.

Seguimos doravantes até o dia em que nossa redação foi invadida por um senhor se dizendo “O representante de Deus” que tentou nos subjugar com exorcismos e um vocabulário que usava amém como vírgula. O exorcismo não funcionou, mas o pastor engravatado deixou com nossa secretária um contrato para ser assinado, para segundo ele, trabalhar na empresa que vai aniquilar aquela outra, da bolinha prateada.
É lógico que rasgamos o papel e seguimos em frente.

Tivemos também momentos de regojizo, um importante presidente latino americano nos mandou um convite para conhecer seu país onde a liberdade de expressão reina e todos são felizes. Tivemos também a visita de inúmeras modelos que fizeram um importante e delicioso boca a boca para divulgar nosso trabalho, tudo isso fora convites para festas, bocas-livres em tudo quanto é lugar e principalmente o carinho e a paciência de você leitor do Blog.
Vida longa ao QUE NADA!

criado por marcblues72    8:24 — Arquivado em: Sem categoria

É pique!

O apocalíptico e desintegrado blog Que Nada recebe centenas, vá lá, milhares de e-mails diariamente e, evidentemente que nós, seus editores-chefe, não os lemos todos. Entretanto, como nossa redação conta com uma vasta equipe de assessoras, confiamos a elas a prazerosa tarefa, desde que nos comuniquem, caso alguma das mensagens seja pertinente.
E ocorreu que, neste mês, uma dessas mensagens fosse pertinente.

Quando a desajeitada Ana Paula Padrão, que é sucessora suplente da assistente periférica central e secretária adjunta da primeira sucessora para assuntos marginais e nucleares, adentrou o paço que nos serve de redação, julgamos de pronto que seriamos contemplados por uma notícia surpreendente. Qual não foi nosso pasmo ao sermos revelados que o egrégio Que Nada havia completado um ano de sua louvável existência. A mensagem continha inclusive um gráfico onde se viam nitidamente os meses dispostos um ao lado do outro, de maneira que no fim da fileira aparecia o mesmo mês que aparecera no começo, que é este, de novembro, comprovando a veracidade da astronômica afirmação.

Foi uma festa só. Deixamos de lado nossa habitual avareza, convocamos todas as nossas incontáveis assistentes, bem como suas respectivas amigas, encomendamos cinco pizzas, três garrafas de coca-cola (pet, 2 litros), cinco caixas de charuto cubano e trinta garrafas de uísque, sendo dez para cada - afinal, somos três os editores-chefe.

Depois de todas se refestelarem a gosto, mandamo-las retornarem aos seus afazeres, ficando somente as que sustentavam nossos reluzentes andores, dando sincronizadas voltas pela gigantesca sala, enquanto nós, ainda um tanto trêmulos da animada comemoração, permanecemos apreciando a doce catatonia da insofismável ocasião.

Ocorreu de acharmos por bem improvisarmos não um, mas três textos alusivos a portentosa ocasião, antes que o mês acabasse, de modo que o leitor tem, neste momento, sendo gravado pelas suas privilegiadas retinas, um desses excelentes e vertiginosos ensaios respeitante a este dia apoteótico. Um grande dia, diga-se. E longo, acrescente-se.

Nossos papéis no Nasdaq atingiram valores estratosféricos. Recebemos um telefonema do “camarada” Rupert Murdoch, a quem uma de nossas assistentes enviou comunicado anunciando a transcendental ocasião. Trocados alguns insultos, lhe batemos o fone na cara. Após, chegaram os embaixadores da Google, que fizeram questão de, pessoalmente, manifestarem a satisfação dos seus patrões pela nossa conquista. Feitas as mesuras, deitamo-os porta a fora. Quando ficamos sabendo que Bill Gates também estava presente, mandamos dizer que não estávamos, e pedimos que não deixassem que mais ninguém nos importunasse. Assumimos então a posição de Lótus e nos pusemos em reflexão.

Quem um dia diria que ocuparíamos o trono que agora nos glorifica? Certamente ninguém. Todavia, depois de seqüências ininterruptas de inspiradas elucubrações translucifer-mephistofáusticas, superamos os obstáculos da concorrência selvagem com as grandes mídias e impusemos nossa condição de líderes, nascidos para o triunfo. Lembro-me que na época da modesta inauguração deste espaço virtual, uma vez declaradas nossas propostas com relação ao uso que dela faríamos, os jocosos e míopes profetas da Folha de São Paulo vaticinaram que não ultrapassaríamos o primeiro mês. Os políticos se escandalizaram a ponto de o Senado convocar uma sessão extraordinária, onde as viúvas de Hitler, representadas por Asmodeus Carlos Magalhães neto e Sir Arthur Virgílio, O Sacripanta, prometeram-nos esbofetear as ilibadas faces. E até o lendário Jair Bolsonaro se valeu dos microfones globais para dizer que seriamos defenestrados em pouco tempo. Mas o porvir mostrou que todos perderam excelentes oportunidades de fazerem silêncio…

Assim meditávamos, quando testemunhamos um fenômeno digno de nota. Forças do além decidiram também manifestar seus contentamentos com nossa glória. Ocorreu que a ilustração de um meditativo Nietzsche, que temos dependurada na parede, não mais que de repente, abriu seus afiados olhos, emanando um brilho néon, que se desfez numa faísca radioativa, contaminando nossos órgãos de uma ainda maior dose de imortalidade. Evidente que o abrupto contato com esse fluído, oriundo das fontes supremas do conhecimento, deu cabo de todas as nossas assessoras, corroendo seus corpos esculturais de maneira súbita e definitiva. Mas Nietzsche sempre sabe o que faz.

Ao se desintegrarem, as assessoras que serviam de escora aos nossos reluzentes andores, deixaram ainda o derradeiro registro das suas incompetências, esboroando-se todas de uma só vez, de modo que levamos um tonitruante tombo, onde ganhamos algumas escoriações. Nada que um banho em lânguidas banheiras de tépidas águas oxigenadas não resolvesse. De qualquer forma, nossa alegria ainda nos impede de sentirmos dores. Nossa efusividade, inclusive, nos permite a caridade de uma lisonjeira mensagem.

Prezado leitor, que o eco dos nossos textos reverbere pelas gerações futuras e venha a despertar também seus nobres herdeiros, para as preciosas informações e imortais opiniões que vez por outra despejamos nesse espaço iluminado. E que eles sejam também tingidos pela magnanimidade das nossas sabedorias, e transfiram o produto do saber adquirido aos milhões de desavisados que povoam o universo, desde os mais remotos rincões dos planetas ignorados, passando pelas esmagadoras profundezas dos mais profundos precipícios, até as megalópoles superpovoadas, lugares em que a vida é inconcebível e insuportável e onde campeiam a corrupção dos ricos e o assassínio dos esfaimados.

Nossa resposta aos digníssimos leitores sempre será a mesma. Não desistiremos de esclarecê-los sobre as questões cruciais que apavoram a medíocre espécie humana, enchendo de angústia o coração das gentes. Não, excelentíssimo leitor, nossos oficio clama por penas piedosas, que se esquivem do sombrio mal circunvagante e escavem da espessa e viscosa lama da hipocrisia jornalística, os conhecimentos necessários para que você continue seguindo em frente, rumo a perpetuidade, desrespeitando todas as imposições, inclusive todas as regras e todas as pessoas, sobretudo aquelas que forem mais velhas.

Aos prantos, manifestamos nossa comoção a vocês, quenadianos leitores, encerrando com uma pequena e humildíssima frase, que os encherá de orgulho e os tornará vaidosos e soberbos…

Não há de quê!

Friederick Misófilo

criado por marcblues72    7:26 — Arquivado em: Sem categoria

12 de novembro de 2007

A piauí não publicou, mas o Quenada publica!

De como Lucrécio Hidalgo Silvério Ficou sem as Orelhas

Quando tinha 58 anos, Sophia Anna Hidalgo Silvério perdeu a um só tempo o marido e a razão. Aquele sucumbiu a uma parada cardíaca; esta, diante da perspectiva de solidão perpétua, que se avizinhara.

Conforme os dias seguiam, Sophia ficava cada vez mais doida. Passava horas aferrada a um órgão, estrebuchando-se em cânticos sacros, que se tornavam quase satânicos tão logo lhe saiam do magoado ventre, fazendo estremecer os decrépitos espíritos que ainda hoje habitam os sombrios esconsos da secular arquitetura.

Seu único filho, Lucrécio Hidalgo Silvério, de 39 anos, morava ainda com ela, mas não dava a mínima às suas veleidades, desprezando-a por completo. Passados sete meses do falecimento do esposo, Sophia também morreu. De abandono. Lucrécio entristeceu-se por alguns dias, passando-os na casa de uma tia, até decidir voltar a sua, onde pretendia viver em absoluto isolamento.

Chegando ao sobrado, porém, espantou-se ao percebê-lo adornado por um não-sei-quê de obscuro. Em toda parte imperava certa nuança pardacenta de luto. Os ventos que cortavam os corredores enregelaram-lhe momentaneamente o dorso, tal o modo como pareceram um coro de almas decaídas. Mas Lucrécio não se intimidou. No mais, julgou não haver nada tão pavoroso que pudesse superar os cantos da finada mãe, que Deus a tivesse. Subiu até o seu quarto e dormiu.

Sonhou que atravessava um rio a nado. Era noite. Ao chegar à margem deparou-se com uma criança pálida, translúcida, que iniciou um lamento monótono, aos poucos ganhando corpo, até evoluir a agudos dissonantes cada vez mais tétricos e ensurdecedores. Depois a criança foi se deformando e tudo o mais se dissolvendo, restando somente o terrível canto, agora não mais vindo do sonho e sim da sala. Lucrécio acordou, não acreditando nos próprios ouvidos. Desceu desesperado as escadas, mas o cômodo estava vazio. Somente os arpejos bestializados da falecida e os acordes distorcidos do órgão preenchiam o desolado aposento.

Naquela noite os gritos saídos da casa chamaram a atenção aos vizinhos, que avisaram a tia de Lucrécio, Maria Cecília. Ela o encontrou na sala, ensangüentado e sem as duas orelhas, dançando em torno do órgão e rindo às bandeiras despregadas, com uma faca na mão. Ao vê-la, parou subitamente.

– Olá, titia – disse, arquejante; os olhos injetados. – Escute, é mamãe! A miserável não pára de cantar. Olhe como canta bonito, agora. Mas os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio. Veja minha situação. Estou morrendo. Olha essa mamãe… Essa mamãe é doida!

E expirou.

criado por marcblues72    16:13 — Arquivado em: Sem categoria
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