Que Nada!!!

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24 de setembro de 2007

Os Multimidiotas

A grande imprensa quando não se assemelha no que divulga, permanece perfeitamente igual no que deixa de divulgar.
E o que nos escondem tem relação direta com o poder. Sobretudo o poder econômico. E, como esses meios dependem dos grandes grupos econômicos, terminam por se estreitar cada vez mais a eles, de modo a cumpliciarem suas práticas, não raro, hediondas.
Mais do que sabemos, a ponto de não ser necessário detalhar aqui como isso se estabelece, que as grandes potências econômicas não têm o mesmo, digamos, senso de humanidade que nos é dado conceber, tendo, portanto, em mais valor, independente do aspecto analisado, o produto dos seus lucros do que uma vida, seja essa a vida que for, vivida pela criatura que seja.
Fingimo-nos assombrados, ou antes, fingimos não acreditar, quando, pelos tratamentos dispensados a um e outro, tomamos conhecimento de que para muitos fazendeiros um boi tem mais dignidade do que um homem. Não poderia me furtar ao direito de concordar que, se os homens são capazes de sacrificar, seja como for, um semelhante por considerare-no menos digno do que um boi, é evidente que valemos mesmo menos do que este, mas enfim.
O boi servindo de exemplo, perfeitamente pode se estender a qualquer outra coisa, mesmo a um tomate, considerando que os tomates reunidos, formam uma quantidade de produtos que, vendidos, resultam em retorno lucrativo para aquele que os cultiva, diferentemente de um ser humano, que, quando muito, será computado na coluna das despesas.
Assim se dá, pois, a matemática do lucro.
Voltando ao parágrafo que pretende ser o centro das especulações aqui empreendidas, sabemos que a grande imprensa, mais do que não quer – e não quer –, não pode sacrificar a si mesma e aos seus interesses, bem como aos seus padrinhos e patrocinadores e também seus interesses, tornando do conhecimento geral as práticas obscuras praticadas por eles.
Essas práticas, sabemos também o suficiente para não precisarmos detalhar aqui, se estendem a quase todas as esferas da sociedade, de modo que uma notícia tem de ser cuidadosamente construída para se esquivar do motivo principal de sua existência, até que se reduza aquilo que é permitido que a grande massa consuma. Isso vale para praticamente qualquer notícia. Quase todas ocultam elementos que favorecem de modo muito conveniente a pessoas e grupos que cometem toda sorte de crimes contra a sociedade. Em resumo a grande imprensa é a publicidade do capital. Suas manchetes são seus otdoors. Suas práticas, obedecem as ordens do mercado.
E a imprensa, assim como as empresas as quais nos referimos, está preocupada somente consigo mesma e se submete às maiores farsas e encenações para impor a realidade mais oportuna, incorporando ou excluindo nuances, na elaboração de seu trabalho, que satisfaçam esse objetivo primordial.
Quando digo “grande imprensa” dou um alento àqueles que gostariam de saber o que está oculto por trás das notícias que esta fabrica. Sim. Pois se recorrermos a outros meios, podemos de modo muito satisfatório descobrir muitas das barbáries cometidas por grandes corporações e pessoas influentes, que são caprichosamente ignoradas pelos grandes jornais. Os livros são boas fontes para obtermos muitas dessas informações, entretanto, e aí está o problema, não recorremos a tais meios. Muitas vezes por não termos condições de o fazer, outras por sequer sabermos das suas existências, ou ainda por não imaginarmos que o mundo é como é, mas sim da forma que nos é transmitido.
Em suma, assinamos os grandes jornais e as grandes revistas, assistimos pela televisão o Jornal Nacional, acessamos sites, ditos, credíveis e nos arvoramos detentores das grandes informações e dos grandes mistérios que constituem o mundo conturbado em vivemos.
Nos amontoamos de dados e constatações. Atualizamos constantemente os fatos, como que a analisar seus desenvolvimentos e seus motivos, mas, no final, o que dizemos não é mais do que o que dizem para dizermos e não sabemos muito mais do que o mais alienado dos religiosos, tão dados à sandice, nem do que o mais isolado dos eremitas.
A diferença é a sofisticação da ignorância. Afinal portamos aparelhos que nos integram ao mundo moderno e que a todo o momento nos incitam a descobrirmos novos fatos, desde é claro, que de maneira rasa, já que a objetividade é a principal demanda da escassez do nosso tempo, cada vez mais reduzido, posto que cada vez mais recheado de compromissos urgentes e “importantes”.
E assim vamos nós. Portadores das nossas crenças e das nossas ilusões, em gestos solenes, debater com outros iguais a nós sobre as mesmas coisas que vimos das mesmas formas, através dos mesmos meios. Não, é claro, sem fazermos questão de impormos nossas individualidades, que nos vão permitir conclusões diversas, todas elas permitidas pelas multinacionais.
E assim vamos nós, para a mediocridade dos nossos afazeres, com aquela centelha de futuro brilhante faiscando no horizonte das nossas retinas, esquecidos do que realmente somos e cada vez mais empobrecidos, tanto mais julgamo-nos habilitados para encarar o cotidiano. Sem olharmos para o lado ou para trás, convictos de que não precisamos mesmo de mais do que aquilo que nos oferecem. Afinal, se não saiu na Veja, é porque, definitivamente, não merecia ter saído em lugar nenhum.

criado por marcblues72    10:39 — Arquivado em: Sem categoria

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