Que Nada!!!

Um Blog sem noção para pessoas de fino trato!

10 de abril de 2007

Viva o Amor e Viva o Ódio!

 Tanto o amor quanto o ódio disseminam a discórdia,
com a diferença que o ódio não suporta a mentira.

O primeiro sentimento que alimento com relação as pessoas em geral é o de aversão. Pode ter certeza de que no início eu não ia com a sua cara, seja a sua cara de quem for.
Isso de não ir com a cara deve ser uma espécie de escudo que uso para me defender daquilo que julgo que as pessoas sentirão por mim. Fui educado para ser desgostado. Ou antes, para ser culpado. Culpado de todas as desgraças que acometem a humanidade e nas quais ela sempre se encontrou mergulhada, mas enfim. Isso dá muitos motivos para que as pessoas não gostem de mim.
Como imagino que ninguém vai com a minha, também não vou com a cara de ninguém. Isso depois muda, o que não me ajuda muito, pois eu sempre fico naquela condição de devedor das amizades e sinto uma necessidade de retribuir isso de alguma maneira. Luto violentamente para não ser muito gentil, mas pode ter certeza que vou concordar com certas idéias com as quais não tenho a menor simpatia. Só para ser gentil.
O lado bom é que ultimamente tenho sido fragorosamente frustrado nos meus pré-julgamentos a respeito das pessoas. É sério. E isso não tem a ver com minha necessidade de ser legal.
Como as premissas não podem ser tão desrespeitadas, mantenho a idéia - que há muito tempo comungo - de que os seres humanos são criaturas abjetas. Não me esqueço também que sou um representante dessa espécie. Partindo daí, consigo considerar diversos exemplares dessa espécie bastante suportáveis. Muitos dos quais eu apostaria meus óculos que seriam detestáveis. Fiz essas considerações agora, talvez por algum relâmpago ter atravessado meu cérebro e ligeiramente iluminado o pavilhão das minhas expectativas recentes. Percebi que boa parte das pessoas com quem mantenho contato, por força das circunstâncias habituais de convívio em sociedade, não tem me incomodado tanto quanto era de se esperar. É evidente que não foram as pessoas que mudaram. Mudei eu.
A explicação não é simples, pois mesmo considerando as demências e deformações e complexos e traumas e carências e abominações entre outras enfermidades humanas, e talvez mesmo por conta dessas considerações, o fato é que as pessoas têm despertado em mim certo fascínio. Desde as mais próximas, com suas mentiras mesquinhas, suas bondades envenenadas, suas bisbilhotices; até aquelas que vemos na televisão, insinuando produtos que nos farão mais felizes. Quase me comovem alguns depoimentos que vejo, por mais que seja de algum criminoso. O sujeito ali, com a faca suja de sangue nas mãos, aquela expressão transtornada, entre o prazer e a dor, procurando justificar seu ato infeliz, ou ainda negá-lo, mesmo diante das evidências mais irrefutáveis. Aquele político a lá Maluf, impregnado de condutas absolutamente contrárias aos seus desígnios, dizendo que não viu, que não assinou, que a conta não é dele. Ou ainda a vagabunda, feia, fazendo escândalo na Afonso Pena em pleno meio-dia, toda rota, desgrenhada, bêbada… Ou mesmo da patricinha cretina, com seu narizinho pra cima, olhando para os outros do alto da arrogância e de um salto plataforma de aproximadamente 15cm, como se suas intimidades fossem eternamente perfumadas e sua inteligência fosse o supra-sumo da erudição. Essas coisas, que durante tanto tempo me provocavam acessos de fúria, com direito a insinuações de espuma no canto dos lábios, hoje me soam quase poéticas.
Olho para tudo isso como se eu fosse uma criatura outra que não a mesma estúpida criatura humana, como se eu fosse um ser superior, olhando com compaixão pros deslizes cometidos pelos danados.
Vivemos em um mundo que certamente em nada fica devendo para nenhum inferno, e que, aliás, sou capaz de apostar, é o inferno de algum outro planeta, como já disse Aldous Huxley (escreve-se assim?). Isso me move a olhar as coisas partindo dos parâmetros próprios da nossa natureza facínora e não a partir daquele ideal de transcendência que Platão fez o favor de inventar. Resumindo: vejo as coisas não a partir do falso amor que com tanto entusiasmo os maiores canalhas apregoam, mas à partir do ódio* natural que as pessoas tão bem manifestam umas com relação as outras. Essa nova visão tornou-se um bálsamo para as minhas retinas fatigadas e me permitem enxergar o mundo partindo do avesso, ou seja, como ele realmente é.

Isto daria um texto muito maior, mas ia ser cansativo tanto pra mim, quanto pra algum eventual desocupado que se dispusesse a lê-lo.

* Tenho até que postar aqui um desses meus pseudo-artigos, semelhante a este semi-ensaio a respeito da necessidade que temos de sentir ódio, e de como esse ódio, reconhecido, termina por ser saudável para o corpo e benéfico para a alma. E de como sua dosagem, quando devidamente endereçada, e não lançada a cântaros para todos os lados, faz com que tenhamos muito menos necessidade de sermos monstros. Até por que, por mais que você negue, como quase todo mundo nega, você também é um crápula, ou melhor, tem o embrião do crápula incubado nas vísceras, esperando o momento propício para vir à luz.

Friederick Misófilo

Ps.: precisamos mudar o endereço desse blog, essa porra desse Terra não admite nem as configurações mais rudimentares.

criado por marcblues72    14:02 — Arquivado em: Sem categoria

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