13 de dezembro de 2006
Quem entre feras vive
A necessidade de "também" ser fera é manifestação constante na espécie humana. Isso me induz a supor que seus instintos carniceiros estão sempre disponiveis, esperando qualquer autorização para manifestarem-se, independente de qual seja a mostruosidade a ser cometida, ou qual seja o motivo que a leve a se constituir como tal. Leva-me a supor, também, que o que fazem, com base nas legislações que os policiam (não sei se requer acentuação), ou amparam, não é senão conter a sanha genocida que os impele à violência sem restrições. Aliás isso é Platão. Não descobri qualquer América com esta afirmação.
Digo isto para fazer um alerta. De paz! Digo isto para tentar conter a vontade manifesta na essência de cada um de matar seus vizinhos, seus parentes, seus patrões. Pra não dizer seus filhos num impeto de indignação despropositada. Digo isto, porque, à partir do que mencionei no parágrafo anterior, quero crer que seus impulsos também necessitam de alimento para criarem força. Ou seja, se você, ao invés de alimentar seus desejos ocultos procurar dilui-los, isso fará com que os mesmos percam vivacidade e feneçam por falência multipla dos argumentos. Não quer dizer porém que deva ignorá-los. Reconhecê-los, aliás, é o primeiro passo para combatê-los, caso contrário serão eles que formularão idéias no seus cérebros deficientes e não seus cérebros que formularão idéias contra eles. Ou seja, permanecerão tecendo suas tenebrices como criaturas invisíveis. Reconheçam, pois, que vocês são criaturas hediondas. Os que quiserem continuar negando o podem fazer, desde que arquem com as respectivas consequências. O fato é que parto do pressuposto de que são antes de animais, bichos. O bicho é aquela criatura canhestra que chora, tortura, sente saudades, ri, espanca, vela, festeja. Da qual sentem extrema repugnância, mas se se aproximam mais, também sentem pena. Alguns macacos manifestam comportamento semelhante, mas é no homem - seu afilhado - que essa condição se estabelece com liberdade para expandir sua voracidade, sua criatividade. E também sua perplexidade diante de si…
Voltando ao eixo, digo tudo isto para afirmar que qualquer humano está "disponível" para se tornar uma criatura abominável para a sociedade (que também é abominável), caso resolva dar a si mesmo o direito de libertar seus desejos mais reprimidos. E que consiste no não reconhecimento dessa deformação estarem condenados a materializar os atos mais imundos. Caso não sejam suspeitos de si mesmo, nas inúmeras oportunidades que têm para manifestar suas "outras faces". Digo isso, sobretudo por piedade, ou antes, uma medida de precaução para evitar que o inferno se infeste de criminosos ordinários, que se proliferam aos milhões a todo momento na face da terra. Estou cansado de criar departamentos. Necessito de assassinos melhor elaborados. Não na capacidade quantitativa de produzir atrocidades, mas na qualitativa. Quero fazer do inferno um ambiente de discussões evoluidas a respeito da desgraça. Portanto sigam meus sagazes conselhos.
Mephisto Fáustico
criado por marcblues72
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