24 de novembro de 2006
Frase do Dia
Meu problema,
comigo,
é que sou muito
desunido.
Sordicídius
Tenho o sonho de morrer em paz.
Tão absolutamente,
que quando isso acontecer,
ninguém aparecer
para reclamar
o corpo.
Sordicídius
Sou um sujeito sem sorte.
Daqueles que perdem o vôo
do avião
que vai cair.
SordicÃdius
Ando meio sem vontade de ler, escrever e afins. Por isso minha estréia aqui no blog é o reaproveitamento de uma resenha de um livro que eu não li.
O último livro que eu não Li em 2006
Desisti de tentar ler e entender o livro “Cultura Pós-Moderna: Introdução às teorias do comtenporâneo” de Steven Connor na página 19.
Até alí o autor tentava mostrar como a produção artística pós-moderna é legitimada pelo diálogo que mantém com seus críticos na academia.
Connor é sarcástico e irônico, mas afunda suas qualidades dissertativas em frases de mais de quatro linhas nas quais perde-se intenção de sentido. Esta característica, aliás, parece ser regra nos clubinhos acadêmicos. Regra que objetiva manter gente “burra” (gente como eu) longe do acrópole do conhecimento.
É curioso que exista um processo de intrincados passos para se entender a arte pós-moderna. Passos tão intrincados quanto os necessários para se entender os textos academicos modernos. A arte pós-moderna é a representação da ruptura. Ruptura com a técnica, eventualmente com a história e quase sempre com o sentido. Se os artistas abandonaram tantas coisas, por que é necessário se estudar tanto para entender sua arte?
É obvio (até pra gente como eu) que ao aceitar-se tudo, absolutamente tudo, como representação artística de qualidade, a arte deixa de ser vista como tal. Se um penico em um estande do MASP é arte (e arte de qualidade) então toda a vida é arte. Se tudo é arte, logo, a arte não é nada em sí. O que não pode ser definido não É (pelo menos para gente burra como eu).
Olhando o índice supus que Connor continua seu livro apontando nos diferentes segmentos artísticos a influência do pós-modernismo e seu acordo para que a academia o considere valoroso.
O capítulo sete “Pós-modernismo e cultura popular – Rock – Estilo e Moda” chamou minha atenção, então, resolvi dar uma chance a ele. Para Connor o Rock não é pós-moderno, apenas uma reembalagen de conceitos estéticos clássicos. Concordo com Connor. O rock é arte e faz sentido, ou seja, não é pós-moderno.
E o estilo e a moda são apenas mau gosto.
Acredito que o livro termine apontado horizontes para o pós-modernismo e possibilidades de desatrelá-lo da visão acadêmica. Visão esta que, segundo o autor, incorre de falha ética, pois representa um acordo em que artistas e acadêmicos agregam valor uns aos outros e manteem-se longe de gente burra como eu.
Relendo esta resenha percebo que, curiosamente, ela foi muito pós-modernista.
Putterman
Existe um boneco, que não chega a ser dos mais estúpidos, que escreve para uma revista de projeção na imprensa tupiniquim. O triste é que esse boneco se presta, mesmo não sendo tão estúpido, ao pobre papel de ser porta-voz do retrocesso. Mais triste é que o coitado não imagina ser tal porta-voz. Ele se julga um defensor do progresso. Acha que seus textos, que nem são tão estúpidos, têm a capacidade de representar a vanguarda do pensamento contemporâneo. Aliás, seus textos são até engraçados.
O referido boneco tem nome. Chama-se Diogo Mainardi. Escreve semanalmente para a igualmente retrógrada revista Veja. Retrógrada, muito embora não seja uma revista estúpida. Aliás é até esperta. Talvez tão esperta quanto se imagina, embora isso ainda não se tenha comprovado.
O fato é que esse boneco ridículo, que tem uma incomoda vozinha de Barbie, programado por um sistema atrasado, se ocupa em compor os mais canhestros textos, tudo em nome do discurso colonial, que preza por manter nosso país atrasado, ainda mais miserável do que é. Um dia disseram para esse boneco, que ele era o novo Paulo Francis. Como ele não sabia ser ele mesmo, gostou da idéia e desde então se esforça por igualar-se àquele, que não era um boneco, tampouco estúpido, e nesse intento se consome, mesmo que para tanto não seja capaz, já que não consegue passar de um medíocre Arnaldo Jabor, o que deve ser muito deprimente.
Mas como disse, ele às vezes é até engraçado, embora seja perigoso, já que o pensamento colonialista impregnado, ou antes, gravado à fogo na mentalidade nacional, têm defensores arraigados, que não querem de jeito nenhum abrir mão dos privilégios que sempre gozaram, às custas do sangue, do suor e das lágrimas da massa trôpega de miseráveis que, desde o descobrimento, os sustenta.
Espera-se que esse boneco ridículo figure posteriormente na nossa história como em reles representante do retrossesso. Já que é somente isso que ele representa: o discurso assassino dos colonizadores, que depois se converteu no discurso assassino dos senhores de engenho, que depois se converteu no discurso assassino dos ruralistas, que se organizaram em assossiações que pregavam e cometiam os mais hediondos crimes, que hoje são as ditas classes produtoras.
Depois dizem que os pobres fazem discurso segregacionista.
Quando desligarem o boneco Mainardi, que nem é tão estúpido assim, aparecerão centenas de outros. Até por que esses bonecos o nosso país produz aos milhares. E produz também milhares de palhaços imbecis, que lêem e acreditam em Mainardis.
Vahia Monteiro
Esta é a república etílica dos desencontrados. Ou o sucinto Que Nada.
Lugar obscuro onde destilarei o veneno, ou melhor, o álcool acumulado em meu coração, ou melhor, no meu fígado impuro.
Estou ainda em fase de incapacitação ou desqualificação. Assim como a página, em fase de descontrução. Afinal, preciso me confundir o suficiente, a ponto de me iludir satisfatóriamente, de maneira a supor, não sem resquicíos relevantes de dúvida, quanto a minha incapacidade de dissuadir aos eventuais visitantes sobre o que quer que seja.
Normalmente o que virão aqui não serão, senão, decomposições inúteis, subprodutos da mais absoluta ébriedade. O que não significa necessáriamente um manifesto de desprezo pelos leitores, pelo contrário. É uma proposta de ser o mesmo paradoxo dos outros, só que de uma maneira outra, estabelecida sobre contradições ainda mais discrepantes que as usuais. Que aliás, foram as contradições que pude amealhar em anos de perda indiscriminada dos meus trêmulos e soluçantes neurônios.
Como estou me desajustanto ainda, creio que tudo o que não disse até aqui, seja brevemente substituido por outras desconsiderações. Talvez até mais obscurecedoras do que estas.
Sem mais delongas, espero não ter dito o que gostaria, o que, álias, é muito mais saudável para as retinas que se desbotam nestas linhas mortas, já que o que gostaria de dizer, tavez pudesse vir a perfurá-las, fazendo com que as lágrimas amareladas que foram acumuladas durante anos, e que não podem ser desperdiçadas com qualquer coisa, jorrassem de um único golpe toda tragédia que levariam anos para lamentar e oceanos para se consumir. E isso não porque eu traga nas mãos certas verdades que a outros não foram permitidas acessar, mas somente por saber que o que eu gostaria de dizer,seria de uma infelicidade tal, que talvez superasse a decepção que o leitor esperasse ter, de modo a desajuizá-lo de vez.
A idéia é fazer com que não acreditem.
Mephisto Fáustico
Houve um tempo em que minha cabeça era povoada de assuntos, cada qual mais pertinente que o outro e todos igualmente indispensáveis para o progresso da humanidade. Hoje, depois de inúmeros esforços no sentido de me alienar cada vez mais, posso afirmar que não mais sou capaz de contaminar meus eventuais interlocutores, ou leitores, com propostas de qualquer natureza que os possam demover do estado de prostação em que se encontram, para uma condição de militantes das causas alheias.
Desisti de tal investida, sobretudo por perceber que entre os alienados que catequizava, um dos maiores, senão o mais, era eu próprio, impregnado de toda aquela verborragia descartável.
No entanto, não ter assunto leva a situações desagradáveis. Hoje, por exemplo, não consigo estender um texto para além de parcas 5 linhas. Considerando que estas não sejam preenchidas de modo a dizerem a mesma coisa repetidas vezes de modo levemente diferente.
O lado bom é que posso dizer coisa-nenhuma por um espaço considerável de tempo, levando até algumas pessoas a julgarem que o que disse tenha sido articulado com base em algum conteúdo e, mesmo, possuísse certa substância.
Como minha imaginação é muito pobre, abandonei um sonho que trazia em pequeno, que, sabe-se lá por que motivos, ganhou corpo em minhas ilusões, que era o de, um dia, me tornar escritor. De romances. Laureado com os mais importante prêmios. Traduzido para centenas de idiomas. Adaptado para o cinema, contanto com a participação dos maiores astros… Enfim.
Depois de me convencer quanto a impossibilidade de continuar dizendo as estultícias que insistia em proclamar e de de me persuadir não ser capaz de produzir nem a mais ordinária das histórias, desisti de me tornar escritor.
Daí a optação por fazer o curso de jornalismo. Jornalistas são, em grande parte, escritores frustrados que querem entender o mínimo indispensável sobre comunicação, a fim de produzirem textos medíocres e com isso buscar certa notoriedade, em troca da fama universal que tiveram de abrir mão, como romancistas, pela incapacidade manifesta de articularem as palavras com mínima propriedade.
As palavras, aliás, são de uma desobediência sem precedentes. São invenções humanas que têm vida própria e se adaptam ao clima e as condições sócio-econômico-culturais dos povos a que são submetidas. Deixe um idioma junto com uma sociedade em um remoto rincão, volte lá depois de alguns anos e observe o que aconteceu. A língua se dilata, estica, enruga, recolhe, umedece, nasalisa, escurece etc, de acordo com as condições em que estava exposta. E depois querem que a domemos. Depois de nos embriagarmos com todas as deformações que nos são transmitidas, de convivermos com os diversos e nocivos vícios linguísticos, próprios da convivência nas ruas, com todo tipo de pessoas, entramos em contato com a dita língua culta…
Para nos tornamos cada vez mais mudos.
Mephisto Fáustico
Ontem foi um dia atípico!
Tive que tirar fotos para uma campanha publicitária da empresa em que trabalho. Logo eu que saio mal em fotos! Mas tudo bem, para encarar tal peleja, percebí que estava deveras cabeludo e despenteado. Ótimo! Boa desculpa para dar um "tapa no telhado", fui a um salão de cabelereiros perto da minha casa. Até aí tudo bem, mas sabe quando o cara começa puxar assunto, mesmo vendo que você não está nem um pouco a fim de falar com nenhum ser vivo? Pois é aí que começou meu pequeno drama pessoal. Em determinado momento, o cabelereiro me pergunta:
Amanhã é feriado de quê?
E eu:
-Proclamação da República, oras!
Aí o camarada me solta a pérola do dia:
-Aqui no Brasil até reclamação os caras transformam em feriado…
Num silêncio sepulcral e numa cara de desespero, esperei terminar o serviço, paguei a conta e fui pra casa pensando, Por que eu???
Marcblues
pra você que apareceu do nada, bem vindo: esse é o lugar nenhum!
esse é o Que Nada, um espaço que não preenche nem esvazia, não interfere nem se abstem, não busca nem abandona, não aponta nem oculta, não realiza nem destrói, não aconselha nem despreza, não considera nem ignora, não elucida nem turva, não ocupa nem deixa vago, não acha nem se perde, não concorda nem questiona, enfim, não se dispõe a contribuir com nada do que eventualmente os interessados leitores, afoitos por erudição, estejam interessados em saber.
nosso objetivo é sujar os cérebros lavados, assim como muitos políticos lavam o dinheiro que adquirem de modos excêntricos por meios pouco ortodoxos.
por ora é isso. lembrando que isso aí é aquilo lá, o que, por si, já dá o que não falar.
sem mais!!!
mephisto fáustico
Este Blog é para você, que como eu, está descrente com a situação brasileira e mundial atual. Não aguenta mais ouvir promessas de políticos velhacos, perdeu a fé na esquerda vendida e acha que a mídia, salvo raras excessões, caminha para um abismo de mediocridade!
Chegou a nossa vez! O triunfo dos revoltados! O apogeu dos excluídos!
Que CPI, que nada!!! Que mundo maravilhoso, que nada! Já diziam os Titãs, você vai morrer e não vai pro céu, é bom aprender a vida é cruel!!!
Marcblues